PENSADORES – ELTON MAYO.

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No penúltimo capítulo da série especial sobre os maiores pensadores do mundo da administração e gestão, vamos falar hoje sobre um dos pais da Teoria das Relações Humanas, suas origens e consequências! Vamos ao artigo.

O começo.

Elton Mayo, nascido em 1880 na cidade Adelaide, capital do Estado de Austrália do Sul, na Austrália, filho mais velho de um engenheiro civil e neto de um famoso médico da cidade, sempre passou pelas melhores escolas de seu país.

Com uma educação superior à média da população da época, formou-se com honrarias em medicina na Universidade de Adelaide, tornando-se um respeitado profissional.

Com vinte e três anos, trabalhou por um período na África Ocidental aonde teve contato com tribos locais, o que lhe trouxe os primeiros insights sobre diferentes culturas ao redor do mundo, sobre a natureza do ser humano e como os membros de uma sociedade interagiam.

Durante sua carreira, Mayo sempre se interessou pelo estudo das relações humanas e psiquiatria, tendo contato com trabalhos que lhe deram a oportunidade de se aprofundar no tema. Um dos pontos mais marcantes de sua trajetória se deu quando Mayo realizou diversas pesquisas através de entrevistas com soldados que apresentavam distúrbios ou traumas durante a Primeira Guerra Mundial.

Essa experiência lhe mostrou que o ambiente afeta diretamente o desempenho de um funcionário (no caso um soldado) no desempenho de suas funções, levando Mayo a começar a desenhar os primeiros traços de sua teoria de relações humanas.

Elton Mayo ainda lecionou em grandes universidades do mundo todo, passando pela Universidade da Pensilvânia e Harvard, além de lecionar em Londres e escrever diversos artigos sobre as áreas de psicologia ao longo de sua carreira.




 

Suas teorias.

Nascido após a Grande Revolução Industrial, ele cresceu em um mundo onde as indústrias se espalhavam por todo o globo e o desenvolvimento do sistema capitalista estava apenas no início.

Com o crescimento de fábricas por todo Estados Unidos, Mayo se interessou pela relação patrão-operário-produção, onde verificou que havia um relacionamento muito intenso devido os trabalhadores passarem longas horas em turnos dentro das fábricas, construindo relações com quem estes conviviam.

Foi quando o cientista resolver realizar uma pesquisa em uma fábrica de aparelhos eletrônicos em Chicago, um dos principais centros industriais norte-americano na época. Ele percebeu que as indústrias eram locais com pouca higiene, infraestrutura precária e baixíssimas condições dignas para que qualquer trabalhador pudesse desempenhar suas atividades de forma produtiva.

Sendo assim, Mayo realizou um estudo no qual tentava demonstrar que o ambiente impacta diretamente na produtividade dos trabalhadores.

Diferente da teoria de administração clássica proposta por Henry Fayol e Frederick Taylor, onde o trabalhador deveria ser uma “peça” da produção, realizando um trabalho especializado e repetitivo a fim de mitigar erros e aumentar a produtividade, Mayo pregava que a alienação do trabalhador e o seu condicionamento a uma tarefa repetitiva na verdade diminuía seu rendimento e produtividade.

O seu experimento consistia em três fases principais, sendo elas:




     

  • 1º Fase: Verificação de fatores psicológicos sobre fisiológicos.

Na primeira fase, tentou-se verificar quais eram os resultados de produtividade se fossem melhoradas ou pioradas as condições de trabalho do local. O experimento desenvolveu-se com o aumento e redução da iluminação do local de trabalho, esperando-se que um ambiente com piores condições (menos luz) impactasse negativamente no total produzido pelos funcionários, enquanto que um ambiente com melhores condições (mais luz) trouxesse um desempenho melhor que o anterior.

Verificou-se então que independente da quantidade de luz aplicado sobre os trabalhadores, a produção não sofria alteração em conformidade com a menor ou maior quantidade de iluminação. Concluiu-se na primeira fase que o fisiológico (desgaste físico) não é o maior fator preponderante sobre a produtividade.

  • 2º Fase: Verificação de fatores psicológicos sobre o trabalhador.

Criou-se uma espécie de “sala experimental”, onde um grupo de trabalhadores foi posto para operar seu serviço normalmente, porém sem a constante pressão da supervisão fabril ao qual ele estava acostumado. Concluiu-se então que com um ambiente de trabalho mais amigável e com menos intimidação ou imposição por parte dos supervisores, o operário aumentava sua produção média.

  • 3º Fase: Entrevistas.

Na terceira fase foram entrevistados diversos operários a fim de se conhecer seus anseios, necessidades, dificuldades e reclamações sobre a empresa, o ambiente de trabalho e seus demais colegas. Com as respostas obtidas, somados aos resultados dos demais experimentos, Mayo pode elaborar algumas conclusões acerca da relação entre social e trabalho.

Conclusões:

– Os funcionários preocupam-se mais com um saudável ambiente de trabalho entre si e seus colegas do que com uma infraestrutura melhor. Deu-se maior importância ao relacionamento pessoal do que ao local de trabalho em si.

– Grupos de funcionários tendem a realizar tarefas em conjunto, tendo maior ou menor produtividade em igual proporção com uma produção média entre todos os funcionários da mesma fábrica. Este tipo de evento ocorre devido à cumplicidade da maioria dos funcionários e no desejo de se sentir incluído em um grupo seguindo os padrões deste grupo, o qual exclui membros (funcionários) com desempenho muito inferior ou superior, obrigando todos a seguirem o “cardume”.

– Funcionários apresentam melhor produtividade quando são estimulados emocionalmente e não financeiramente como se pensavam, dando-se maior importância ao reconhecimento pessoal frente o monetário.

– Um ambiente de trabalho saudável onde os funcionários possuam um respeito mútuo entre si e com seu supervisor é essencial para o desenvolvimento da produtividade da empresa, quando o grupo se engaja no crescimento da empresa.

Em suma, Mayo descobriu que as relações humanas dentro de uma empresa são grandes catalisadores de mudança de produtividade, estando as condições e clima organizacional no topo da lista de fatores que influenciam o sucesso de uma empresa.

Então agora você já sabe… ambiente de trabalho bom é empresa de sucesso. Se gostou, compartilhe com seus amigos!

Até a próxima!

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