Comércio: origem e definição.

Comércio: origem e definição.

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Muito se fala sobre os diversos meios pelos quais as empresas hoje compram e vendem produtos em um ciclo de trocas de bens, serviços e capitais, seja pelo meio físico ou, com o avanço da tecnologia, pelo meio digital através do e-coomerce.

Mas as coisas não foram sempre assim!

Antes de haver dinheiro ou qualquer outro meio de pagamento, as mercadorias eram todas trocadas pelo escambo.  Mas como será que funcionava o comércio daquela época? Quem participava dele? Qual o caminho que ele percorreu até chegar nos dias de hoje?

Pensando nessas e outras questões que este artigo vai remontar a origem do comércio, mostrar qual a sua definição e sua evolução através dos tempos! Vamos ao tema…

Comércio: origem e definição.

Antes de entrar na história do comércio, vamos entender o que a sua etimologia representa.

A palavra comércio possui diferentes origens, sendo a grega a mais conhecida, originada do latim commercium, sendo ela a junção das palavras “com” que significa algo como junto ou conjunto e “merx /merc” que é algo como mercado, local de troca. Dessa forma comércio seria algo como “local de troca onde pessoas se reúnem”.

Pelo significado da palavra dá para se ter uma ideia do que ela representa… compra, vende e troca de bens e mercadorias.

Sobre sua origem, é difícil apontar um local específico do nascimento do comércio, afinal que muitos historiadores divergem sobre o que seria considerado comércio propriamente dito. Há quem afirme que as relações tribais nas quais as primeiras civilizações existiam já poderiam ser consideradas comércio, quando alguns membros das tribos trocavam alimentos por serviços como caça ou segurança contra predadores e inimigos (afinal estavam sendo trocados um bem por um serviço).

Nesta época era comum também que as tribos não permanecessem muito tempo no mesmo local, sendo que muitas delas simplesmente migravam de um local para o outro em busca de novos recursos esgotando a capacidade de reposição natural e partindo novamente.

Já com o fim das tribos nômades, onde uma população se movia constantemente em busca de recursos, os povos começaram a fixar residência em pequenos assentamentos onde eram realizados o cultivo e a cria de vegetais, frutas e animais, inicialmente para consumo próprio (subsistência). Esse modelo se mostrava pouco eficaz quando todos os membros empregavam a totalidade de seu tempo em diversas atividades simultâneas (caça, pesca, plantio, coleta) uma vez que eram dependentes de produzir todos os bens necessários para sobrevivência.

Mais tarde, porém, algumas tribos perceberam que era muito mais produtivo se especializar em determinada atividade e aplicar todo seu esforço nela, atingindo uma produtividade muito maior do que caso o tempo e esforço fossem partilhados em pequenas tarefas diferentes. Isso permitiu que eles pudessem realizar a troca de mercadorias específicas que estivessem sobrando por outras que eles não possuíam.

É fácil imaginar um grupo especializado no plantio de cereais e frutas tendo de trocar seus produtos com outro grupo especializado na caça e pesca. Com a permuta de mercadorias, ambos os grupos se beneficiavam, quando estes podiam trocar aquilo que lhes sobravam e adquirir o que lhes faltavam.

Esse modelo foi um ponto crucial no desenvolvimento do comércio em que haviam trocas entre mercadorias sem o envolvimento de dinheiro ficou conhecido como escambo.

No entanto, com o passar do tempo, aumentaram-se as complexidades nas barganhas entre diferentes mercadorias e ficava cada vez mais difícil mensurar quanto valia cada item. Imagine você tendo que determinar: o que vale mais, um quilo de carne ou dois litros de leite?

Além disso havia todo o problema logístico em ter de transportar uma quantidade significativa de produtos até o encontro de outros comerciantes com a necessidade ainda deste encontrar alguém que oferecesse algo que ele precisasse e ainda quisesse o produto que ele possuía, ou seja, um produtor de leite deveria percorrer toda a vila em busca de um produtor de pães que não só gostasse de leite, mas que ainda não tivesse já trocado com outro produtor.

Essa era com certeza uma época medieval para o comércio!

Foi justamente essa maior necessidade em comparar diferentes produtos e facilitar a troca de mercadorias que levou à população da época a tentar parametrizar diversos itens sob um único meio de pagamento. Foi assim que surgiram as primeiras moedas.

Mas calma! Nós não estamos falando das moedas que você tem no seu cofrinho ou perdida nos bolsos da calça. A moeda de que estamos falando é todo e qualquer meio de pagamento comum.

A priori, para ser considerada uma moeda, ou seja, um meio válido de troca os itens deveriam ser um meio intermediário de trocas e algo que pudesse ser uma unidade de valor.

E ao longo da história vários itens já foram utilizados como moedas, dentre eles: pedras, conchas, sal (daí a palavra salário), couro, tecidos, especiarias e posteriormente aquelas que nós ainda adotamos como unidades de valor atualmente, tais como ouro, prata e o próprio papel moeda.

A criação da moeda foi um forte impulsionador do comércio, uma vez que agora viajantes do mundo todo (conhecidos agora como comerciantes) poderiam viajar entre cidades e reinos em busca de barganhas, sendo que anteriormente à moeda estes deviam carregar suas mercadorias por longas estradas e ficavam suscetíveis a roubas.

Outro fator que foi desenvolvido a partir da expansão do comércio foram os mercados regionais nas cidades em torno de castelos e áreas de senhores feudais. Para eles, o comércio era algo muito vantajoso e lucrativo quando eram cobradas pequenas parcelas de todas as trocas e negociações. Para prover um ambiente propício às formações destes mercados, os nobres construíam estradas e garantiam a segurança dos comerciantes.

E o que eram apenas barracas e pequenas feiras ocasionais realizadas pelos reis até o séc. XVII passou a se transformar em lojas físicas e permanentes, onde grandes comerciantes começaram a formar residência e família nos locais mais propícios aos seus produtos. Isso permitiu o avanço social e econômico das cidades, quando estes comércios empregavam os cidadãos das regiões que agora recebiam uma parte da produção como pagamento ou até moeda pelos seus serviços.

E foi nesta época que começaram a surgir artesãos e demais profissionais especializados em determinadas mercadorias, como alfaiates, padeiros, joalheiros, ferreiros e etc., sendo estes serviços perpetuados quase sempre entre famílias que mantinham a tradição de produzir os mesmos produtos e serviços por décadas.

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Graduado em Ciências Contábeis, possui MBA em Investment Banking e está agora iniciando seu mestrado em economia. Atualmente trabalha no mercado financeiro e escreve os blogs com o objetivo de ajudar as pessoas a conhecerem um pouco mais acerca do mundo econômico, contábil e administrativo e sobre tudo o que isto implica.

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