Capital de Giro

Capital de Giro

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Quando administramos nossa renda familiar, por exemplo, temos de verificar qual o volume de entradas no mês como salários, bônus, adiantamentos e décimo terceiro. Em contrapartida, devemos também verificar para onde este dinheiro está indo e em quais despesas eles serão alocados. Água, luz, mercado, seguro do carro, IPVA, estes são alguns exemplos de contas que quase todos nós possuímos.

Em um confronto direto de entradas e saídas, teremos ao fim um valor que poderá ser positivo (superávit) quando a quantia de entradas for maior que a de saídas ou um saldo negativo (déficit), quando as despesas foram maiores do que as receitas. Esse confronto direto se chama fluxo de caixa.

Assim como uma pessoa física realiza este tipo de controle, pessoas jurídicas (que são as empresas) devem realizar o mesmo tipo de análise a fim de verificar se ela tem obtido sucesso em conseguir administrar a receita que entra com a venda de mercadorias e/ou a prestação de serviços versus as despesas que a empresa possui, como contas a pagar, impostos, dentre outros.

Tanto no caso das pessoas físicas como com as pessoas jurídicas, a partir do momento que as despesas se tornam maiores que as receitas, ambas possuem algumas alternativas, dentre elas:

  1. diminuir os gastos e torná-los compatíveis com a receita.
  2. aumentar a receita de tal modo que este seja maior que as despesas.
  3. tomar dinheiro emprestado.

No caso das empresas, as duas primeiras opções nem sempre são de fácil aplicação, uma vez que a redução de custos ou a expansão das receitas envolvem planejamentos e estratégias, o que pode levar dias ou até semanas para ser desenvolvidas e implementadas, o que não socorreria a empresa no curto prazo.

Sendo assim, a empresa necessita de recursos de terceiros (sem ser os sócios) para cobrir o gap ou buraco financeiro que existe em um fluxo de caixa deficitário (despesas > receitas). Para fomentar este tipo de situação, os bancos oferecem uma linha de crédito conhecida como capital de giro.

O capital de giro é um empréstimo realizado por uma instituição financeira que funciona como um suplemento às atividades da empresa para que esta possa realizar suas atividades de curto prazo sem prejuízos à entidade.

Mas, por que no curto prazo?

Antes de respondermos o porquê do capital de giro ser realizado majoritariamente no curto prazo, vamos primeiramente definir o que é um “curto prazo”. Em termos contábeis, curto prazo é toda obrigação (passivo) ou direito (ativo) que será cobrado ou recebido em um prazo inferior a 365 dias.

Para exemplificar, vamos imaginar as seguintes situações:

“João fabrica bicicletas e as vende a prazo. Em cada nova venda, ele estipula que o cliente pague o valor do produto em até 90 dias. No controle de entradas e receitas de João, ele registrará o recebimento do valor pela venda da bicicleta no curto prazo, pois 90 dias (ou três meses) são inferiores ao prazo contábil de 365 dias (12 meses).”

“A BigShips S.A. é uma empresa que fabrica e vende navios de grande porte. Como a fabricação do produto é realizada de forma progressiva e lenta e seu valor é provavelmente na casa dos milhões, poucas são as empresas que desembolsarão tal quantia à vista. No caso dos clientes da BigShips, o pagamento se dá em 48 parcelas iguais, sendo este prazo superior aos 365 dias, devendo ser classificado então no longo prazo*.”

* (abrindo um parênteses, as 12 primeiras parcelas do pagamento de 48 deverão ser consideradas de curto prazo, afinal, elas serão desembolsadas em até 12 meses).

Pois bem, agora que você já consegue diferenciar o curto do longo prazo, podemos continuar a explicação do tema.

O capital de giro é comumente realizado no curto prazo uma vez que ele auxilia as empresas a cobrir o já citado gap entre recebimentos e desembolsos, gap este avaliado nas operações de curto prazo. Vamos a mais um exemplo:

Por vezes, a empresa realiza a venda de seus produtos com o prazo de parcelamento de 90 dias aos seus clientes, assim como o João com suas bicicletas. Deste modo, vendendo um produto hoje ela esperará 3 meses para receber os valores da transação.

Por outro lado, o João possui a conta de fornecedores os quais vendem seus produtos como matéria-prima, máquinas, equipamentos e etc. para ele poder fabricar suas mercadorias. Vamos imaginar, por exemplo, que nossos fornecedores realizem a venda a prazo com 60 dias sem juros.

E o que acontece quando nós vamos receber um valor daqui a três meses, porém ao mesmo tempo temos um valor a pagar no prazo de 2 meses? Essa conta não fecha, certo? Nós teremos que pagar nossas contas um mês antes de recebermos os valores devidos pela nossa venda. Sendo assim, João necessitará tomar recursos de curto prazo (capital de giro) junto a um banco para cobrir essa diferença de dias entre o recebimento e o pagamento.

Nas empresas, a diferença entre valores a receber no curto prazo versus os valores a pagar também no curto prazo é denominado Capital Circulante Líquido (CCL), o qual advém do confronto direto entre ativo circulante versus passivo circulante.

Então é isso ai! Agora que você conhece o capital de giro e suas aplicações, ficará mais fácil entender as necessidades de recursos de uma empresa e de onde esta necessidade vem.

Até a próxima.

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Graduado em Ciências Contábeis, possui MBA em Investment Banking e está agora iniciando seu mestrado em economia. Atualmente trabalha no mercado financeiro e escreve os blogs com o objetivo de ajudar as pessoas a conhecerem um pouco mais acerca do mundo econômico, contábil e administrativo e sobre tudo o que isto implica.

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