Administração Científica

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Na final do séc. XIX já no fim da revolução industrial, muitas empresas que experimentaram um boom de crescimento de produtividade sofriam agora com a estagnação de seu crescimento e da falta de objetividade e dinâmica dos mercados.

Enquanto a revolução industrial trouxe uma demanda explosiva a partir do séc. XVIII com milhares de consumidores satisfazendo suas necessidades, as indústrias só se preocupavam em produzir cada vez em maiores quantidades, não ligando muito se o modelo adotado estava certo ou se era o melhor… como quase tudo que era produzido era também consumido, os proprietários das empresas não se atentavam com a qualidade de sua produção fabril.

Com o passar do tempo, novas empresas foram surgindo, a competição entre produtos aumentou e os consumidores agora tinham mais opções de compra, podendo escolher entre o melhor custo benefício. Com isso as empresas se viram em uma situação até então inusitada… elas precisavam inovar para crescer. E não só inovar. Agora era necessário ficar atento aos métodos de produção para verificar se a empresa era eficiente e se não estava desperdiçando dinheiro em práticas pouco lucrativas.

Foi quando o norte-americano Frederick Taylor idealizou um novo modelo de gestão para as empresas que se baseava na ciência e em conhecimentos técnicos como forma de administrar os negócios, buscando aperfeiçoar o operacional da indústria, trazendo melhores resultados com o menor custo possível.

Esse modelo ficou conhecido como administração científica.

Padronização e aperfeiçoamento.

Pense em uma empresa qualquer hoje em dia. Vamos imaginar uma indústria de carros, por exemplo. Na parte produtiva, centenas de máquinas são postas lado a lado em uma linha produtiva que está programada passo a passo do que fazer, em que momento fazer e como fazer. Os robôs de uma indústria automobilística trabalham diariamente em perfeita sincronia.

No séc. XIX isso não era nem um pouco parecido. Sem qualquer tipo de “manual” ou padronização, cada indústria desenvolvia seu próprio método de fabricar seus produtos com técnicas geralmente baseadas no “achismo”, ou seja, na opinião do dono da fábrica ou nos diretores e gerentes (quando havia). Naquela época os funcionários simplesmente recebiam ordens e as reproduziam sem qualquer entendimento.

Com essas imensas divergências, não só existia desigualdade entre diferentes empresas, mas também dentro das empresas. Cada produto era feito por um funcionário diferente, sem qualquer treinamento, que realizava a fabricação de determinado produto conforme as ordens que tinha recebido… ou pior… conforme tinha entendido das ordens que havia recebido.

Não era incomum encontrar funcionários lado a lado realizando as mesmas tarefas de formas diferentes… uma grande bagunça!

Com a nova gestão desenvolvida por Taylor, demonstrada e explicada em seu livro chamado “Administração de oficinas” em 1903, a administração das empresas passou a buscar métodos de padronização na fabricação de seus produtos, levando em conta itens como tamanho, peso, espessura, cor, forma e etc..

Não só a produção foi aperfeiçoada, mas também os trabalhadores que atuavam nela. No modelo de administração cientifica, os funcionários deviam ser escolhidos conforme sua eficiência para determinar a tarefa proposta, além de agora os funcionários receberem treinamento para poder desenvolver suas habilidades e produzir mais da forma correta (e padronizada!).

Para elaborar estas ideias, Taylor passou anos trabalhando e estudando diferentes indústrias, chegando aos principais erros cometidos por elas e racionalizando a melhor maneira de evitar que estes erros fossem cometidos no processo fabril. A partir da reunião destas ideias, Taylor elaborou diversos materiais teóricos da aplicação da administração científica no dia a dia das empresas.

Planejar, preparar, executar e controlar!

Do desenvolvimento das ideias de Taylor, foram criadas quatro grandes leis da administração científica publicadas em sua obra chamada “Princípios da Administração Científica”:

1º Planejamento: o primeiro passo para o sucesso na linha de produção, segundo Taylor, era a realização de um planejamento minucioso baseado em dados estatísticos que dessem embasamento à tomada de decisões por parte dos administradores. Somente com a aplicação científica dos dados que a empresa estaria apta a “atacar” seus problemas de falta de padronização que ocorria até então no chão de fábrica.

2º Preparar: não basta ter os melhores procedimentos teóricos do mundo se na prática os funcionários não estão capacitados para realiza-los. A teoria da administração científica prega que a empresa deve treinar seus funcionários para que estes realizem com maestria suas funções através do processo de superespecialização.

3º Executar: concentração de atividades em um único funcionário não era bem visto na teoria da administração científica. Conforme era pregado por Taylor, quando um mesmo colaborador acumulava diversas tarefas este podia acabar realizando todas elas de forma inapropriada ou ineficiente, ao contrário de diversos funcionários realizando individualmente uma pequena tarefa. Para alcançar desempenho máximo, cada um dos funcionários deve ser responsável por apenas uma pequena parte do todo, melhorando assim a fluidez do processo.

4º Controlar: se eu planejo, preparo e depois executo tudo conforme manda as leis de Taylor, mas depois não tenho nenhum tipo de controle sobre o processo produtivo para verificar se tudo está nos conformes… significa que perdi todo o meu tempo!

A empresa deve manter um controle rigoroso sobre todos os seus processos ao longo do tempo para se certificar de que o planejamento está sendo executado, além de poder realizar a medição dos resultados obtidos com a aplicação da teoria.

Com a execução das quatro leis citadas acima, qualquer empresa está apta a desenvolver sua plena produtividade com a utilização da ciência administrativa à seu favor.

Críticas ao modelo de Taylor.

Apesar do sistema do método científico ter sido benéfico para muitas empresas, o modelo foi criticado por demais cientistas da época quando afirmava que a superespecialização transformava os trabalhadores em meros “operários robôs” não permitindo que estes fossem criativos ou desenvolvessem habilidades que não aquelas almejadas pela empresa.

Além do mais, como o foco da administração cientifica era o ganho de produtividade, as empresas não tinham o foco na satisfação de seus funcionários, exigindo cada vez mais por parte de seus esforços sem melhorar suas condições de trabalho e remuneração ou oferecer oportunidades para que este crescesse dentro da empresa.

Um famoso filme de Charles Chaplin chamado Tempos Modernos retrata as condições em que os trabalhadores estavam expostos durante o período pós Revolução Industrial de forma lúdica.

Então é isso… qual sua opinião sobre a administração científica? Ela é uma vilã ou um modelo de otimização de produção? Deixe sua opinião nos comentários!

Se gostou não deixe de compartilhar com os amigos! Até a próxima.

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Graduado em Ciências Contábeis, possui MBA em Investment Banking e está agora iniciando seu mestrado em economia. Atualmente trabalha no mercado financeiro e escreve os blogs com o objetivo de ajudar as pessoas a conhecerem um pouco mais acerca do mundo econômico, contábil e administrativo e sobre tudo o que isto implica.

2 Comentários

  1. qual seria uma alternativa contraria a administraçao cientifica? é q estou fazendo um trabalho e tenho q encontrar uma melhor forma em que os empregados se sintam mais motivados e valorizados.
    obrigado

    • Olá Sabrina,

      Não existe propriamente dito uma forma “contrária” à Adm Científica. O que existe são diferentes teorias que abordam pontos semelhantes de maneiras divergentes.

      Atualmente muitas empresas tem se utilizado da metodologia do Enpowerment, um método onde os funcionário possuem maior papel ativo nas instituições.

      Acesse nosso artigo sobre o Empowerment clicando no link:http://admsemsegredos.com/enpowerment-a-descentralizacao-de-poder/

      Espero ter ajudado! Abraços.

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